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- Na semana que vem é meu aniversário.
- Vc gosta de fazer aniversário?
- Acho que eu gosto sim, embora aniversário legal seja de criança quando tem sempre um monte de coisa gostosa para comer.

Nesta noite, eu sonhei com um bolo da minha infância. Às vezes, eu tenho uns sonhos engraçados. Sonho com coisas de outras cidades onde já morei e no meio do sonho descubro que estas coisas não estão mais distantes. Foi assim com o bolo da Dona Luzia, minha vizinha em Mococa. Hoje, parecia que ela estava a apenas algumas quadras aqui em São Paulo e que poderia encomendar um bolo muito gostoso com um preço honesto. Acordei meio que procurando onde poderia ser esta casa dela aqui e cai na real lembrando que não existe.

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No Natal do ano passado, ganhei um super presente surpresa, daqueles que por um bom tempo vc vai se lembrar (bendita memória). Não é que às vésperas do meu aniversário ganhei outro presente surpresa também. Justo eu que odeio surpresas. Tem horas que parece que só dá para dizer: “Muito obrigada.” Vou seguir em frente sem olhar para trás.


 

Testemunha? Não, tks

Minha relação com desgraça próxima é sempre muito distante. Paradoxo? Não. Ontem, aconteceu o tal terremoto e, hoje, várias pessoas vieram me perguntar se eu senti alguma coisa. Não, não senti nada e se me disserem que os jornalistas de Cidades inventaram o tal terremoto só porque não agüentavam mais escrever e falar sobre o caso Isabella Nardoni, sou bem capaz acreditar e até achar que fizeram bem. O caso parece solucionado. Notícia agora só quando sair a pena ou se os indiciados conseguirem inocência. Mesmo assim uma entrevista para dizer nada de novo ocupa 30 minutos do horário “nobríssimo” e milhares de árvores são derrubadas diariamente para mostrar os desdobramentos (?) da triste morte de Isabella.

Bem, voltemos ao terremoto. Só fique sabendo da tal nova tragédia hoje pela manhã. Abri a porta e vi o jornal com a manchete sobre o terremoto em São Paulo. Só pensei: “nossa, nem vi nada, que bom”. No ano passado, aconteceu uma coisa muito semelhante. Estava no Rio e passei um domingo inteiro dentro de casa curtindo a preguiça que um dia nublado me permite. Ouvi um certo movimento de carros de polícia que me disseram não ser normal. Como não sou carioca e não me sinto segura naquela cidade, nunca me espanto com a movimentação da polícia por lá. No dia seguinte, quando estou voltando para São Paulo vejo estampado na capa do Globo que um delegado havia levado 9 tiros exatamente na primeira rua paralela a que eu estava em Copacabana. Pensei: “que bom que não desci para tomar café no lugar que eu tanto gosto, mas que ficava bem na rua do tiroteio”. Preguiça, às vezes, faz bem.

A outra tragédia próxima que eu consegui deixar distante foi em 2006. O PCC atacou um Pão de Açúcar que ficava exatamente ao lado da minha casa. Minha mãe me ligou 7h da manhã. Queria saber se eu estava bem, porque a Globo estava na frente da minha casa mostrando que o supermercado tinha sido atacado. Eu sequer tinha ouvido algo.

Quero para sempre deixar as desgraças próximas muito longe de mim. É muito bom não me sentir envolvida na comoção social que elas provocam e poder dizer: não vi, não ouvi, não senti. Não sou testemunha da História.


 

Interrogações sobre mortes

Eu tenho o vício de acompanhar algumas notícias como novela, aguardando sempre o capítulo seguinte com uma certa ansiedade. A do momento é a morte de Isabella Nardoni. Tantas dúvidas e tantos nomes repetidos geram mais dificuldade para seguir o caso. A morte, por si só, já choca. A de uma criança vítima de violência é sempre mais triste. Não sei se este caso chegará a ter solução. Volta e meia, fico me questionando se estamos diante de outro caso similar ao:

A) da Escola Base - em que inocentes foram criminalizados por um delegado inconseqüente e uma mídia idem
B) de Madeleine – o ainda sem solução caso da inglesinha desaparecida em Portugal
C) de Suzane von Richthofen – o do crime em família

Não sei qual alternativa escolher. Dependendo da hora acho que uma é mais provável do que a outra. Mas mudou várias vezes, dependendo da notícia que leio.

Outro tipo de morte que intriga muito são os suicídios. Já ouvi dizer que eles são mais freqüente aos domingos, em dias cinzas, em países frios e até que há uma predisposição genética para se tornar um deles. Não poderia afirmar se alguma destas teorias foi validada cientificamente. Sei apenas que nesta semana Margô deu o furo sobre o suicídio da funcionária da Folha que se jogou do oitavo andar. Deixou as botas, um filho e um casamento por se desfazer ou já desfeito, como ele apurou. Neste caso, acho que para os que ficam sempre resta a questão: Por quê? Poucas vezes, ela é solucionada com uma carta que o suicida deixa.


 

Mentiras, verdades e felicidade

Ele apareceu meio do nada. E era para ser nada. Depois de um primeiro encontro, um mês de brigas pelo celular. Mensagens grosseiras. Ligações estranhas e tensas - a última, desligada na cara. Pronto, parecia que o fim tinha chegado.

Uma semana depois, a mensagem: “Tá mais tranqüila? Quer conversar?” Naquela hora, não dava. Ela estava a alguns quilômetros de distância. Tinha ido desfazer o tal trabalho. Será que este era um sinal de que ele já estava desfeito? Aceitou conversar mais tarde. Se atrasou. Haveria um show. Ele não quis ir. Ela queria conversar e acabou cedendo. O show ficou de lado e a conversa em casa também. A terceira opção, um barzinho, acabou rolando.

Foi até divertido, ao contrário do que se pudesse imaginar. Na conversa, angústias tão dela foram sendo apagadas por ele. Com a certeza de quem tem conhecimento de causa, ele dizia que as aflições não eram necessárias, que tudo era simples e seria resolvido. Dias depois, ela veria que ele tinha razão. Para compensar, convidou-o para jantar. Ele não podia. O mal do plantão também o afligia.

Dois dias mais tarde, o tal jantar aconteceria. Um peixe muito bom. O vinho idem. Ela estava feliz. A conversa fluía e de repente começaram a falar de coisas que machucam. Achou de extrema sensibilidade ele tocar neste assunto. Talvez ele nunca saiba, mas a ganhou ali. Talvez cedo demais.

Anos após o tal jantar, ele a machucaria. Justo ele que tinha pedido para ela não o fazer e tinha proferido um: “lógico que eu também vou cumprir o que estou propondo”. Aparentemente, ele não tinha descumprido o trato. Mas ela tinha descoberto que o acordo precisava ter sido mais amplo. Não era necessário ter outra pessoa na história para se sentir traída. Bastava uma mentira boba para a perda da confiança. E confiança, para ela, era como virgindade só se tinha uma vez.

Ele ligou. Queria saber se ela nunca mais falaria com ele. Insistiu na mentira. Podia ter salvo a história com a verdade. Porque só ela mora na mesma casa que a felicidade. Telefones novamente silenciados.


 

Dia do Jornalista

Na home do UOL desta segunda-feira, apareceu a seguinte questão: "Você tem um amigo? Mande uma lembrança. Hoje é dia dele." Amigos jornalistas é o que menos me falta, mas pergunto: alguém quer ser lembrado por esta data? Há o que comemorar? Ainda mais mandando um cartãozinho de animação que ninguém abriria por achar que é vírus. E na verdade, nem vale a pena. Perdi meu tempo vendo as duas opções que são bem ridículas.





 

Simpatia profissional

Tem uma coisa que me irrita em demasia: os simpáticos profissionais. Sabe aquele vendedor que nunca te viu, mas que logo que você entra na loja fala: “gata, isso vai ficar o máximo”. E em salão de cabeleireiro então: você entra sendo “querida” e sai “maravilhosa”, mesmo se a tintura tiver ficado numa cor totalmente diferente da desejada e se o corte for um horror.

Noutro dia, uma européia chefe de uma organização internacional veio me cumprimentar pela minha grande contribuição a um evento. Helloooo, eu estava ali como figurante, embora acreditasse na bandeira que estava sendo levantada. Fiquei assustada com o tamanho entusiasmo com que ela falava comigo. Mas segundos depois vi ela se despedindo de outra pessoa, que também tinha contribuído tão pouco quanto eu para o tal evento com o mesmo entusiasmo. Com várias pessoas, a cena se repetiu. Então, pensei: é isso, ela é simpática profissional, como o cara do salão, o vendedor e tantas outras pessoas que encontram na simpatia profissional uma maneira de ganhar a vida.

Eu me sinto bem deslocada em tempos em que a sinceridade anda tão fora de moda. Mas prefiro continuar deslocada e dedicar meu tempo a encontrar outros deslocados do que deixar de ser uma antipática amadora para me tornar uma simpática profissional. Pelo menos, quando eu elogiar ou agradecer alguém vai ser sincero. E espero fazer isso, muitas vezes, porque não sou ingrata e procuro sempre reconhecer o valor do outro.



 
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