Ele apareceu meio do nada. E era para ser nada. Depois de um primeiro encontro, um mês de brigas pelo celular. Mensagens grosseiras. Ligações estranhas e tensas - a última, desligada na cara. Pronto, parecia que o fim tinha chegado.
Uma semana depois, a mensagem: “Tá mais tranqüila? Quer conversar?” Naquela hora, não dava. Ela estava a alguns quilômetros de distância. Tinha ido desfazer o tal trabalho. Será que este era um sinal de que ele já estava desfeito? Aceitou conversar mais tarde. Se atrasou. Haveria um show. Ele não quis ir. Ela queria conversar e acabou cedendo. O show ficou de lado e a conversa em casa também. A terceira opção, um barzinho, acabou rolando.
Foi até divertido, ao contrário do que se pudesse imaginar. Na conversa, angústias tão dela foram sendo apagadas por ele. Com a certeza de quem tem conhecimento de causa, ele dizia que as aflições não eram necessárias, que tudo era simples e seria resolvido. Dias depois, ela veria que ele tinha razão. Para compensar, convidou-o para jantar. Ele não podia. O mal do plantão também o afligia.
Dois dias mais tarde, o tal jantar aconteceria. Um peixe muito bom. O vinho idem. Ela estava feliz. A conversa fluía e de repente começaram a falar de coisas que machucam. Achou de extrema sensibilidade ele tocar neste assunto. Talvez ele nunca saiba, mas a ganhou ali. Talvez cedo demais.
Anos após o tal jantar, ele a machucaria. Justo ele que tinha pedido para ela não o fazer e tinha proferido um: “lógico que eu também vou cumprir o que estou propondo”. Aparentemente, ele não tinha descumprido o trato. Mas ela tinha descoberto que o acordo precisava ter sido mais amplo. Não era necessário ter outra pessoa na história para se sentir traída. Bastava uma mentira boba para a perda da confiança. E confiança, para ela, era como virgindade só se tinha uma vez.
Ele ligou. Queria saber se ela nunca mais falaria com ele. Insistiu na mentira. Podia ter salvo a história com a verdade. Porque só ela mora na mesma casa que a felicidade. Telefones novamente silenciados.