Tirar passaporte em São Paulo é uma verdadeira maratona. Vc entra no site, faz o seu cadastro, agenda, espera dois, três meses e finalmente chega o dia de vc ir até a agência. Lá, é atendido por uma solicita funcionária que tem acima de sua cabeça uma placa escrita: “Desacato – blábláblá”.
Se vc não notar a existência da placa, como foi o meu caso, ela vai fazer você notar. Basta fazer uma pergunta simples e despretensiosa. Por exemplo:
- Posso ver a foto que será usada no passaporte?
- Não.
- Por quê não?
- Porque não.
- Nossa, achei que tivesse uma explicação.
- O sistema [sempre o sistema com seus superpoderes] gera a foto e manda para o documento automaticamente, não dá para escolher. Já imaginou se todo mundo quisesse escolher a foto.
- Poderiam pedir para a gente trazer a foto, como era antigamente, assim evitava este problema.
Acho que discuti mais do que queria e ela sempre fazia questão de olhar para cima, como se quisesse me alertar: “mais uma palavra e te enquadro no desacato”.
Como quero viajar e felizmente minhas férias estão próximas, fiquei quieta. Não dá para passar os esperados dias de folga numa cela. Na semana seguinte, voltei para buscar o passaporte. E desta vez, o funcionário era legal. Acho que homens têm uma tendência a tratar melhor as mulheres e vice-versa. O melhor é que ele não tinha a plaquinha de desacato sobre a cabeça.